Thursday, August 9, 2007

andanças



I

Olhos de águia
certas vezes
correndo
as penedias
da nossa
inocência
procurando
dar de comer
às vozes
últimas

Trazendo
os braços
leves de andanças
a hora descansa
as mãos

II

Cada um está deitado
na grande frente atlântica
partindo do principio
da igualdade salgada

Também medita a feroz
inveja pairando
nas luzes da cidade
os dias da vingança

III

Uma vez mais o Sol
deixa fazer a vontade
e os mortos desfeitos
gritam sem ninguém ouvir

Almas benditas da justiça
cega no altar do mundo
erguei a vossa metralhadora
em breve se limpa a terra

Wednesday, August 8, 2007

águas limpas



Baleias nas ilhas
em águas limpas
onde os olhos
além vão

De cima das falésias
o tempo batido
pelas aves
inquietas

À volta do espaço
as grandes margens
do espírito

Tuesday, August 7, 2007

território invisível



Território invisível
da morte das árvores
avistado do espaço
na cápsula segura

Chá de malvas
para curar


O dia
seguido de outro

Imagem transviada

estava bem

Estava bem
posta a mesa
com vista para o mar

O que quer dizer
várias coisas
ao mesmo tempo
e na mesma hora

Graças garças
voejando
ao sabor
da ventania

Monday, August 6, 2007

amostra de nada



O pensamento diverge
para o passado

Ou converge
o sentimento
intempestivo
e raivoso

Porque não se é
aquilo que se queria

E ainda nem o futuro
se sabe amostra de nada

MILLENIUM/BCP



Nunca tal se viu: o interesse que tem despertado nos meios de comunicação a luta pelo poder no MILLENIUM/BCP. Por um lado, como toda a gente sabe, está Teixeira Pinto, actual presidente do Conselho de Administração; e por outro, Jardim Gonçalves, antigo PCA, actualmente numa prateleira doirada.

O que há aqui são birras, nada do que dessa luta resulte modificará a natureza e os objectivos do Banco.

O velho PCA deslumbrou-se um dia e deu-lhe na vontade de voltar à ribalta, porque lhe estava a fazer falta a azáfama diária. Simplesmente era tarde. Quem lá estava não era tão vergável como ele teria imaginado. Agora, andam em guerrilha.

Os meios de comunicação vêm dizendo que este Banco é o supra sumo da banca portuguesa: em termos de tecnologia de ponta utilizada nos serviços; nas ferramentas de gestão, etc., etc. O que não dizem é que ele tem sido um banco feito de show of: uma imagem com cores alegres e jovens; empregados a ganharem aparentemente acima da média, aparentemente motivados e dinâmicos; todo um markting a passar uma imagem de grande renovação geral, o que na minha opinião não passava de cosmética. Lembre-se o caso de não admitirem mulheres nos seus quadros. A polémica que gerou na altura. Era o verniz que estalava em toda uma encenação muito bem concertada.

Afinal de contas, o que ele era, o que ele é, é um banco como os outros, com objectivos bem prosaicos, ganhar fatias de mercado, ter lucros, e andar para a frente.

As maneiras simpáticas são apenas para vender mais. Sempre foi assim. Não tenham ilusões. Quando dizem que foram buscar o Jardim Gonçalves a Espanha nos idos de 78 do século passado, mais ou menos, para que ele, como se fosse o salvador da pátria, propusesse um ar fresco à estrutura bancária então vigente, estão querendo levar-nos a matutar em homens providenciais. Nada mais falso.

Seja como for, que se entendam, e que o Banco continue de boa saúde. Agora digo: esta luta fratricida é que básicamnente prejudica os interesses do Banco; colocam à mostra as suas fragilidades até hoje muito bem guardadas.

Sunday, August 5, 2007

dias de merenda




Dias de merendas
na areia
e bolas de berlinde

Cabeça de fronte
aberta contra
a corrente

E limas
na primeira
linha

Diversas vezes
boias dão à costa
embrulhadas em cabos
de nylon

Foi a rede
que o mar não quis
para morte de
seus peixes

E elas esperguiçam
os seus braços
longos e bicam a água fria

E as crianças
como os marrecos
pincham esbaforidas
no mar ventoso