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Tuesday, February 12, 2008
Saturday, February 9, 2008
País velho e corrupto
Não há dúvida que o grande cancro da nossa sociedade se radica no tráfico de influências que descamba em corrupção e vice-versa, entre a vida política e económica. E como se tem dito, os rostos são sempre os mesmos, de tal modo que me parece que tudo isso se fosse monarquia os rostos suceder-se-iam de pais para filhos até sabe-se lá onde, mas no caso não sendo monarquia a verdade é que os nomes se sucedem entre o aparelho do estado e a economia. É ver em certa altura o nome do filho de Sampaio numa empresa qualquer e o filho do Eanes noutra e os nomes sonantes de filhos de outros políticos aqui e ali, a serem colocados nesta secretaria, ali naquela assessoria, ou neste lugar mais esconddio mas com ordenado garantido ao fim do mês e com papel passado como no casamento. E por vezes escondem os nomes para não afligirem as consciências dos progenitores.
E quando alguns politicos, sendo do PS por exemplo, vêm berrar contra o seu próprio PS, que não conhecem já, que se não revêem nele, etc...; ou os do PSD, contra o seu próprio PSD, que dizem transviado, etc...; é tudo uma vez mais fogo de vista e apenas para cumprir calendário nas suas agendas uma vez que as suas próprias vidinhas estão resolvidas. É patético ver Manuel Alegre, um dos barões do PS, se bem que sem bastão, a reclamar principios onde ele tem sido simplesmente um acomodado do regime com uma bela voz sonante que todos gostam de ouvir para serenar as suas consciências.
A verdade porém é que os benefícios do regime estão nas mãos desses traficantes de influências que não abrem mão dos seus postos quando o que se vê é gente desesperada a procurar trabalho e a ver a vida a andar para trás e os anos a andarem para a frente. Hoje são rapazes que acabaram os cursos com vinte e poucos anos e amanhã são os mesmos rapazes com trintas e tais no mesmo ponto de partida sem futuro. Este país tem sido ruim para a juventude. Não lhe dá esperança. É um país velho e corrupto.
Thursday, February 7, 2008
Acerca de Sócrates, outra vez
Vem uma notícia no Expresso que diz que Guilherme Silva, do PSD, quer vasculhar na vida de Sócrates, acerca da sua vida profissional nos idos anos 90. Parece que ele alega que há matéria para o efeito. Quer mexer na borbulha a todo o custo já que não encontra matéria mais importante para debater noutras latitudes.
O mundo está louco ou faz-se de propósito para que se não ataque os problemas fundamentais com que nos debatemos, essa é a verdade de nós todos e Portugal não foge à regra, pois na verdade se formos a vasculhar no caso dos "submarinos" aquando do governo PSD/CDS; ou no caso PORTUGALE; ou no caso dos Off-shores do BCP; ou noutros muitos casos que a nossa ribalta pretende remeter para o esquecimento, quando o seu lugar deveria ser na praça pública, por muito que lhes custe.
É isso que os "Guilhermes Silvas" deste país querem: fazer esquecer estes casos fundamentais da podridão em que nós temos vivido. Para já não falar dos ordenados milagreiros e fraudulentos que meia dúzia de capangas auferem nesta nossa mitológica urbe. E é nesse sentido que percebemos o interesse nessa manobra de distracção de alguém de certa forma relacionado com o Governo Regional da Madeira, que tem sido um autêntico sorvedouro dos dinheiros de todos nós.
E nessa ordem de ideias Guilherme Silva torna-se o paladino de causas aparentemente relevantes mas que na verdade apenas são cortinas de fumo para esconder o que há de realmente problemático no nosso país: amanda-se poeira para os olhos dos patetas, os outros...
(Não tenho procuração de Sócrates, o Engenheiro.)
Friday, February 1, 2008
O novo ataque a Sócrates
Acho ridiculo estarem atacando um homem com argumentos tão fracos. Dá a impressão que o "Público" quer deitar o homem abaixo. Terá algum motivo para isso, alguma areia no sapato? Na verdade, invocar algo que toda a gente faz, que é o caso de assinar plantas porque quem as faz não as pode assinar porque não tem o curso para isso e o que se faz é recorrer de alguém que tem. Isso não é crime, isso reflecte uma situação não reconhecida na lei, que é a dos desenhadores fazerem com competência muitas vezes casas talvez a um preço mais barato que os outros não fazem. Não é crime. Não é suborno. É a forma que há de resolver um problema com falta de gente qualificada, e de fazer o trabalho dos qualificados com os que não são qualificados; e estão os não qualificados, que não podem assinar, tão entalados como os qualificados que podem assinar, sendo então este processo como uma bola de neve.
Situação caricata, sem dúvida, mas nunca merecedora de aparecer na primeira página, a apontar a um homem um crime ou um podre ou uma falha que não existe e que é resultado dum costume. Há por aí muita trapalhada que precisava ser investigadfa jornalisticamente. O jornal em vez de gastar energias e tempo com coisas tão mesquinhas devia investigar os grandes casos de corrupção no nosso país. Ir até ao fundo no caso dos off-shores do BCP. Ver o que se passa no caso PORTUCALLE. Já de vez verificar se o caso de ALCOCHETE tem alguma coisa por onde se pegue. Etc., etc. Dos casos que têm sido lembrados pelo Bastonário dos Advogaods. Enfim, há tanta coisa por onde começar. Agora este caso é ridiciulo, a começar pelo inicio. Pelo destaque dado. Ouviram de Abilio Curto a boca de que Sócrates tinha assinado plantas que não tinha feito. E a partir desse pressuposto foram à investigação. Para vender jornais, julgo eu? Que tristeza! Um jornal que se diz de referência parece uma pescadinha com o rabo na boca. Atenção! Sócrates não me passou procuração.
Tuesday, January 29, 2008
as palavras não são nada
As palavras não são nada
apenas as sombras
nascem e morrem
ao lado das paredes.
E o resto que se entenda
na mesma proporção
que a esperança na forma
de Deus a um passo da palavra.
apenas as sombras
nascem e morrem
ao lado das paredes.
E o resto que se entenda
na mesma proporção
que a esperança na forma
de Deus a um passo da palavra.
frequentemente
Frequentemente o brilho dos olhos
torna a fechar-se e as bolas de vidro
na mesma linha de correr quebram-se
na frente dos nervos em fogo.
Quem o saber em outros lugares
preferir ao lume das mãos
em volta todo o destino é incerto.
Maduras amoras ainda
nas silvas ao trinado
dos pássaros nos galhos
os que têm a vida das almas
num ponto certo do mundo.
torna a fechar-se e as bolas de vidro
na mesma linha de correr quebram-se
na frente dos nervos em fogo.
Quem o saber em outros lugares
preferir ao lume das mãos
em volta todo o destino é incerto.
Maduras amoras ainda
nas silvas ao trinado
dos pássaros nos galhos
os que têm a vida das almas
num ponto certo do mundo.
Friday, January 25, 2008
As fraquezas dos "voluntários" dos BV
Quando chega a hora da verdade as fraquezas ficam à vista. Hoje na televisão assisti a um intercâmbio de chamada telefónica entre alguém, penso que do INEM a pedir uma ambulância para um hospital, e uma corporação de Bombeiros Voluntários.
A surpresa instala-se quando o desgraçado do bombeiro atende do telemóvel. Acho que eram quatro da manhã e o homem parece que devia estar pelo menos em casa. O Quartel fechara à meia-noite. Não era possível ambulância nenhuma.
Mas para além dessa situação estranha, o inesperado foi a a reacção do "Chefe Máximo dos Bombeiros Nacionais" (#) a dizer que é normal uma situação dessas porque os voluntários (como são voluntários, naturalmente, digo eu, só vão até certo limite), os voluntários assim, os voluntários assado, enfim, "grandes problemas enfrentam os voluntários".
Mas o engraçado para mim foi ver essa pessoa (O Chefe Máximo Nacional) noutra altura, penso que aquando da organização do INEM e dos serviços de ambulâncias, a reivindicar para os bombeiros mais serviços de ambulâncias. Acho que esses chefes sabem que umas vezes é bom mostrar capacidade e outras que o rei vai nu. Assim é como dizer: uma no cravo outra na ferradura conforme as circunstâncias.
(#) Não fixei o nome do senhor
A surpresa instala-se quando o desgraçado do bombeiro atende do telemóvel. Acho que eram quatro da manhã e o homem parece que devia estar pelo menos em casa. O Quartel fechara à meia-noite. Não era possível ambulância nenhuma.
Mas para além dessa situação estranha, o inesperado foi a a reacção do "Chefe Máximo dos Bombeiros Nacionais" (#) a dizer que é normal uma situação dessas porque os voluntários (como são voluntários, naturalmente, digo eu, só vão até certo limite), os voluntários assim, os voluntários assado, enfim, "grandes problemas enfrentam os voluntários".
Mas o engraçado para mim foi ver essa pessoa (O Chefe Máximo Nacional) noutra altura, penso que aquando da organização do INEM e dos serviços de ambulâncias, a reivindicar para os bombeiros mais serviços de ambulâncias. Acho que esses chefes sabem que umas vezes é bom mostrar capacidade e outras que o rei vai nu. Assim é como dizer: uma no cravo outra na ferradura conforme as circunstâncias.
(#) Não fixei o nome do senhor
Tuesday, January 22, 2008
CRASH ????
Agora corre outra ameaça, e esta tem a ver com o presumível crash que se irá passar nas bolsas mundiais. Os ganhos dessas bolsas têm baixado drasticamente, tanto que os pessimistas prevêem uma depressão como a de 1929 na bolsa de Nova York, enquanto que os optimistas dizem que nem tanto.
Mas na verdade o que se pode dizer é que não há fumo sem fogo. Alguma coisa se passa nos mercados, de tal modo que os meios financeiros andam aí de antenas atentas. Oxalá que não passe apenas de palpites.
Alguma coisa de grave está para vir. O que se trata de saber é o seguinte: será possível controlar os danos de modo que não mate o paciente que é a economia global? Esperemos que sim, que haja meios. Injecções de dinheiro nos circuitos? programas ajustados à crise? ...
Mas na verdade o que se pode dizer é que não há fumo sem fogo. Alguma coisa se passa nos mercados, de tal modo que os meios financeiros andam aí de antenas atentas. Oxalá que não passe apenas de palpites.
Alguma coisa de grave está para vir. O que se trata de saber é o seguinte: será possível controlar os danos de modo que não mate o paciente que é a economia global? Esperemos que sim, que haja meios. Injecções de dinheiro nos circuitos? programas ajustados à crise? ...
Saturday, January 12, 2008
pés de barro - o caso BCP

O caso BCP tem despoletado na sociedade portuguesa uma espécie de vergonha que ninguém assume. As pessoas não estão bem em si. Como é possível ter acontecido uma monstruosa montra de enganos e falsidades, onde tem assentado a pretensa seriedade do mundo dos negócios.
Tem-se verificado que nesta rede de interesses em que a nossa sociedade está montada ninguém está escapando. O mais sisudo governador do Banco de Portugal, disfarçado de grande competência e profissionalismo afinal é apenas montra de ilusão. Todos os que, pregando moralidade nos negócios, estando atulhados de lama até ao pescoço, vêm solícitos dar entrevistas às televisões a justificar porque não fiscalizaram na devida altura ou se a fiscalização que fizeram foi apenas de faz de conta.
As coisas não teriam ido tão longe se não aparecesse o espalha brasas do Joe Berardo, diga o que se disser a verdade é que ele, apesar de não ser um santo, com certeza, pôs os pontos nos is. Está toda a gente atrapalhada. Como foi possível chegar-se a uma situação em que o maior Banco privado português, descobriu-se, tem vivido numa trapalhada ao longo da sua vida. Se fossemos mais atrás até se poderia eventualmente descobrir outras coisas. É uma questão pertinente face a estes desenvolvimentos. Afinal o crescimento desse Banco foi assente em quê?
Eis o grande drama. Os nossos heróis são heróis de pouco valor. O Engenheiro Jardim Gonçalves tinha a fama de grande Banqueiro; faziam dele um génio; foram- buscá-lo-a-Espanha-para-fundar-o-Banco-exemplar-moderno-etc.. E em que assentou afinal a sua inovação? Pelos vistos nada de novo aconteceu neste País.
Por outro lado, o Governador do BP também tem sido uma espécie de herói da economia, um guru, sempre que havia previsões e crescimento, ou cálculo de défice, lá se ia ouvir a opinião abalizada do homem. Agora percebe-se que há alguma coisa que falhou na engrenagem. Percebe-se que a competência que tem alardeado tanto não passa de propaganda; tudo tem assentado em imagem, longe do âmago.
Pés de barro, apenas isso?
Friday, January 4, 2008
Raly Lisboa / Dakar

O raly Lisboa / Dakar foi cancelado. Eis mais uma desilusão. Agora que toda a gente estava preparada para enfrentar o deserto vem o golpe de misericórdia. Equipas nacionais portuguesas eram 36, entre motas, carros e camiões.
Gastou-se muito dinheiro. Foi tudo pelo esgoto.
Ameaças terroristas fizeram interromper a iniciativa. O que é estranho é a falta de informação à volta disto. Bem sabemos que nestas situações mais vale cortar o mal pela raiz e não arriscar. Talvez ficasse muito mais caro em vidas humanas do que suspendendo a prova.
Seja como for, esperemos que para o ano que vem as ameaças terroristas tenham acabado. Seja o que Deus quiser. E desta maneira é que nos entregamos nas mãos do "Senhor". Teremos confiança suficiente n'Ele? Enfim, tenhamos fé.
Saturday, December 29, 2007
O PSD e a presidência da CGD

O PSD está tontinho de todo. Onde terá aquela cabecinha do líder sido enfiada? Nalgum balde de água gelada. Já viram a escandalosa preocupação dos dirigentes laranjinhas com as cadeirinhas? No caso, a de presidente da Caixa Geral de Depósitos. É claro que o PS também não é virgem no assunto.
É incrível a capacidade de criar assuntos inúteis para discutir. A politica chega ao grau zero. Politica é preocupar-se com os problemas da sociedade. Esta guerrilha com as cadeiras dos bancos não tem qualquer substância relevante de preocupação com o bem comum, apenas transparece um egoísmo de todo o tamanho nesses dirigentes.
Digamos que ficam sem máscara de políticos e transfiguram-se em oportunistas que ali estão apenas para satisfazerem a sua gente e a si próprios. Triste espectáculo. Filipe de Menezes é uma triste figura que anda a reboque dos acontecimentos diários. E qualquer motivo serve para atirar achas para a fogueira, onde se tem queimado.
Aliado dos santanistas, com o imperdoável Gomes da Silva armado em Cavaleiro Andante a clamar vitória sobre tretas que não interessam nem ao menino Jesus, a não ser a quem, da área deles, fosse nomeado para a direcção da Caixa. Felizmente não foi o caso. Parece que vai ser nomeado Faria de Oliveira para o cargo.
É claro, a preocupação toda do PSD é com a cadeira vaga. Não se preocupa em saber se o maior banco privado português, o BCP, agora depois destas falcatruas todas que sobre ele recaíram, ou melhor, sobre os seus depositantes e toda a gente de roda dele que acreditou naquele ar confiante e crivado de santidade dos seus dirigentes, tendo à cabeça o engenheiro, ficará debilitado.
Que consequências poderá ter toda esta lama? Afinal vai ser alguém responsabilizado ou não? Vai alguém para a cadeia ou não? Não, o PSD não se preocupa com a moral, não se preocupa com a sociedade em geral, mas com questões perfeitamente marginais. Melhor para o PS. Porque não tem ninguém à altura de lhe fazer frente. Pior para nós porque ficamos descalços, sem oposição à altura das circunstâncias.
Benazir Bhutto

Benazir Bhutto foi assassinada e penso que não se irá passar nada, ou seja, ela foi colocada fora da luta politica para sempre e o mundo continua igual ao que era. O poder agora no Paquistão respira mais aliviado até que apareça outro concorrente que ponha em causa o sistema de governo encapotado de democracia de generais que governa essa mistura de gentes eivadas de radicalismos que é o Paquistão, uma autêntica armadilha colocada no meio do nosso mundo.
Afinal não estamos longe uns dos outros quando a questão atómica se coloca; quando a loucura toma conta do poder. É claro que todos se reclamam de prudência e principalmente os poderosos que conduzem os destinos de milhões de pessoas. Mas essa prudência é apenas uma máscara muitas vezes que esconde a demência total e a maldade. Esperemos que surja no Paquistão alguém ou algum movimento que finalmente consiga que pelo menos a democracia, que, até ver, não sendo o governo perfeito é o que se aproxima mais da imperfeição humana, se implante naquela terra onde os "talibans" e toda a cáfila de gente aparentada se passeia impunemente.
Afinal não estamos longe uns dos outros quando a questão atómica se coloca; quando a loucura toma conta do poder. É claro que todos se reclamam de prudência e principalmente os poderosos que conduzem os destinos de milhões de pessoas. Mas essa prudência é apenas uma máscara muitas vezes que esconde a demência total e a maldade. Esperemos que surja no Paquistão alguém ou algum movimento que finalmente consiga que pelo menos a democracia, que, até ver, não sendo o governo perfeito é o que se aproxima mais da imperfeição humana, se implante naquela terra onde os "talibans" e toda a cáfila de gente aparentada se passeia impunemente.
Wednesday, December 26, 2007
os lados
Os lados apertam
ou alargam,
e se principias
por perceber
acabas por
prolongar
a pergunta,
a seguinte.
ou alargam,
e se principias
por perceber
acabas por
prolongar
a pergunta,
a seguinte.
corridas
Corridas na estrada larga.
A um lado a margem,
e a outro o restante
aglomerado de chaves.
Essas permitem pensar
a longa vida dos lados.
Um dia acabam.
É a água limpa
que os destroi,
sem que possam,
sequer, aguentar
o último ataque.
A um lado a margem,
e a outro o restante
aglomerado de chaves.
Essas permitem pensar
a longa vida dos lados.
Um dia acabam.
É a água limpa
que os destroi,
sem que possam,
sequer, aguentar
o último ataque.
A próxima estação
A próxima estação de Inverno e duas estações anteriores,
o mesmo barco e a mesma casa no coração.
A vez seguinte é a forma de seguir
a estrada anterior com os mesmos passos.
Agora já os anos pesaram e
já as águias desapareceram da paisagem,
todos os espaços foram tomados
e as casas desceram à praia.
No Inverno outra vez a nova imagem,
rigorosa talvez, mas ainda assim
não sei bem de quem,
se minha se doutro igual.
Morrerei em voz baixa,
um dia.
o mesmo barco e a mesma casa no coração.
A vez seguinte é a forma de seguir
a estrada anterior com os mesmos passos.
Agora já os anos pesaram e
já as águias desapareceram da paisagem,
todos os espaços foram tomados
e as casas desceram à praia.
No Inverno outra vez a nova imagem,
rigorosa talvez, mas ainda assim
não sei bem de quem,
se minha se doutro igual.
Morrerei em voz baixa,
um dia.
Saturday, December 22, 2007
ainda natal
Está toda a gente a pensar no Natal
e a tentar dentro de si banalizá-lo
mas uma casca de banana no chão
e sem se saber escorrega coração
Ou seja é preciso fazer alguma coisa
para não se ficar atrás ou não sentir
remorsos por não se dar parte de si
a alguém ou mesmo na próxima esquina
levantar quem está caído
e a tentar dentro de si banalizá-lo
mas uma casca de banana no chão
e sem se saber escorrega coração
Ou seja é preciso fazer alguma coisa
para não se ficar atrás ou não sentir
remorsos por não se dar parte de si
a alguém ou mesmo na próxima esquina
levantar quem está caído
O caso MILLENIUM/BCP

Tem sido difícil a parição do caso BCP. Aliás, nem será caso. Palavras e palavras para entender operações financeiras que nem lembra ao Diabo. Ou nem tanto. A questão é muito semelhante ao que aconteceu com a privatização do BPSM. Na altura Champalimault comprou o Banco com um empréstimo do próprio Banco. Mas ninguém se escandalizou. Depois o Banco foi vendido e naturalmente que o empréstimo terá sido liquidado e as mais valias resultantes do diferencial entre o preço de venda e o valor do empréstimo reverteu para o "benemérito" empresário que fez o "favor" de dar brilho a um Banco estatal.
O que acontece com o BCP é algo semelhante. O BCP a precisar de capital lembra-se de abrir empresas off-shore e através delas vende/compra acções. Como? As empresas (que são o BCP encapotado) pedem empréstimos ao BCP e com eles compram acções do próprio Banco. Ou seja: o dinheiro emprestado pelo Banco volta a entrar sob a forma de dinheiro fresco. Nessas operações usam nomes de pessoas como testas de ferro e a esses são perdoados milhões. É claro que não são a eles que são perdoados; são ao próprio Banco. Uma confusão. No meio da confusão alguém lucrará.
Agora os administradores foram chamados à "polícia" (Entitade Reguladora) e começam a acusar-se uns aos outros, a dar um pobre espectáculo: "Não fui eu, foi o outro" ; "Não tive informação"; "Obedecia a ordens?" O aspecto circunspecto dos banqueiros esconde a lama lá por dentro. O Banco de Portugal e o seu consensual presidente Victor Constâncio só agora acordou. Em 2004 já tinha sido levantada a borbulha, mas como tinha sido muito timidamente, o tímido Constâncio mandou para trás o Processo. Só que agora apareceu um Joe Berardo espalha brasas, que tem posto a ferro e fogo esse mundo silencioso e hipócrita dos banqueiros do BCP. E chega-se à triste conclusão, que um Banco que tinha sido gabado ao longo destes anos todos, até foi um study case em universidades, não passará duma simples Instituição que tem vingado muito à custa de cosmética e de certa maneira dum ar de modernidade que quis dar à sua marca. Na minha opinião, oxalá que o BCP sobreviva a esta grave crise e que seja na realidade o Banco que parece ser: uma Instituição forte e credível.
O que acontece com o BCP é algo semelhante. O BCP a precisar de capital lembra-se de abrir empresas off-shore e através delas vende/compra acções. Como? As empresas (que são o BCP encapotado) pedem empréstimos ao BCP e com eles compram acções do próprio Banco. Ou seja: o dinheiro emprestado pelo Banco volta a entrar sob a forma de dinheiro fresco. Nessas operações usam nomes de pessoas como testas de ferro e a esses são perdoados milhões. É claro que não são a eles que são perdoados; são ao próprio Banco. Uma confusão. No meio da confusão alguém lucrará.
Agora os administradores foram chamados à "polícia" (Entitade Reguladora) e começam a acusar-se uns aos outros, a dar um pobre espectáculo: "Não fui eu, foi o outro" ; "Não tive informação"; "Obedecia a ordens?" O aspecto circunspecto dos banqueiros esconde a lama lá por dentro. O Banco de Portugal e o seu consensual presidente Victor Constâncio só agora acordou. Em 2004 já tinha sido levantada a borbulha, mas como tinha sido muito timidamente, o tímido Constâncio mandou para trás o Processo. Só que agora apareceu um Joe Berardo espalha brasas, que tem posto a ferro e fogo esse mundo silencioso e hipócrita dos banqueiros do BCP. E chega-se à triste conclusão, que um Banco que tinha sido gabado ao longo destes anos todos, até foi um study case em universidades, não passará duma simples Instituição que tem vingado muito à custa de cosmética e de certa maneira dum ar de modernidade que quis dar à sua marca. Na minha opinião, oxalá que o BCP sobreviva a esta grave crise e que seja na realidade o Banco que parece ser: uma Instituição forte e credível.
Thursday, December 13, 2007
O Inglês Gordon Brow

Gordon Brow
Gostei de ver Inglês chegar a Lisboa para assinar o acordo de Lisboa com aquele ar como se tudo estivesse normal. O homem não quis chegar a tempo. Teve que engolir um sapo. Tinha que vir a Lisboa. "Como conciliar as palavras com os actos?" Pensaria o homem com os seus botões. O ditador africano já se tinha ido embora, portanto, agora não havia nada a temer. Mas mesmo assim chegou tarde. Teve-se nas tintas para os outros governantes europeus. Onde estava a tão badalada pontualidade britânica? É claro, ninguém se importa. Dá a impressão que o acordo já era. Foi só mesmo para inglês ver.
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