Wednesday, December 26, 2007

lérias

Lérias
ao mesmo tempo
árvores queimadas
todas na mira
não

os lados

Os lados apertam
ou alargam,
e se principias
por perceber
acabas por
prolongar
a pergunta,
a seguinte.

corridas

Corridas na estrada larga.
A um lado a margem,
e a outro o restante
aglomerado de chaves.
Essas permitem pensar
a longa vida dos lados.
Um dia acabam.
É a água limpa
que os destroi,
sem que possam,
sequer, aguentar
o último ataque.

A próxima estação

A próxima estação de Inverno e duas estações anteriores,
o mesmo barco e a mesma casa no coração.
A vez seguinte é a forma de seguir
a estrada anterior com os mesmos passos.
Agora já os anos pesaram e
já as águias desapareceram da paisagem,
todos os espaços foram tomados
e as casas desceram à praia.

No Inverno outra vez a nova imagem,
rigorosa talvez, mas ainda assim
não sei bem de quem,
se minha se doutro igual.

Morrerei em voz baixa,
um dia.

Saturday, December 22, 2007

ainda natal

Está toda a gente a pensar no Natal
e a tentar dentro de si banalizá-lo
mas uma casca de banana no chão
e sem se saber escorrega coração

Ou seja é preciso fazer alguma coisa
para não se ficar atrás ou não sentir
remorsos por não se dar parte de si
a alguém ou mesmo na próxima esquina
levantar quem está caído

O caso MILLENIUM/BCP


Tem sido difícil a parição do caso BCP. Aliás, nem será caso. Palavras e palavras para entender operações financeiras que nem lembra ao Diabo. Ou nem tanto. A questão é muito semelhante ao que aconteceu com a privatização do BPSM. Na altura Champalimault comprou o Banco com um empréstimo do próprio Banco. Mas ninguém se escandalizou. Depois o Banco foi vendido e naturalmente que o empréstimo terá sido liquidado e as mais valias resultantes do diferencial entre o preço de venda e o valor do empréstimo reverteu para o "benemérito" empresário que fez o "favor" de dar brilho a um Banco estatal.

O que acontece com o BCP é algo semelhante. O BCP a precisar de capital lembra-se de abrir empresas off-shore e através delas vende/compra acções. Como? As empresas (que são o BCP encapotado) pedem empréstimos ao BCP e com eles compram acções do próprio Banco. Ou seja: o dinheiro emprestado pelo Banco volta a entrar sob a forma de dinheiro fresco. Nessas operações usam nomes de pessoas como testas de ferro e a esses são perdoados milhões. É claro que não são a eles que são perdoados; são ao próprio Banco. Uma confusão. No meio da confusão alguém lucrará.

Agora os administradores foram chamados à "polícia" (Entitade Reguladora) e começam a acusar-se uns aos outros, a dar um pobre espectáculo: "Não fui eu, foi o outro" ; "Não tive informação"; "Obedecia a ordens?" O aspecto circunspecto dos banqueiros esconde a lama lá por dentro. O Banco de Portugal e o seu consensual presidente Victor Constâncio só agora acordou. Em 2004 já tinha sido levantada a borbulha, mas como tinha sido muito timidamente, o tímido Constâncio mandou para trás o Processo. Só que agora apareceu um Joe Berardo espalha brasas, que tem posto a ferro e fogo esse mundo silencioso e hipócrita dos banqueiros do BCP. E chega-se à triste conclusão, que um Banco que tinha sido gabado ao longo destes anos todos, até foi um study case em universidades, não passará duma simples Instituição que tem vingado muito à custa de cosmética e de certa maneira dum ar de modernidade que quis dar à sua marca. Na minha opinião, oxalá que o BCP sobreviva a esta grave crise e que seja na realidade o Banco que parece ser: uma Instituição forte e credível.

Thursday, December 13, 2007

O Inglês Gordon Brow


Gordon Brow

Gostei de ver Inglês chegar a Lisboa para assinar o acordo de Lisboa com aquele ar como se tudo estivesse normal. O homem não quis chegar a tempo. Teve que engolir um sapo. Tinha que vir a Lisboa. "Como conciliar as palavras com os actos?" Pensaria o homem com os seus botões. O ditador africano já se tinha ido embora, portanto, agora não havia nada a temer. Mas mesmo assim chegou tarde. Teve-se nas tintas para os outros governantes europeus. Onde estava a tão badalada pontualidade britânica? É claro, ninguém se importa. Dá a impressão que o acordo já era. Foi só mesmo para inglês ver.